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Conhecimento Espiritual
Há
muitos momentos na vida em que somos levados a questionar
sobre assuntos de grande profundidade. Surgem então
perguntas do tipo: “quem sou”, “de onde vim”, “para
onde vou”, “o que na realidade estou fazendo aqui?”
Se não sabemos quem somos ou onde estamos como poderemos
agir apropriadamente? É certamente impossível.
Isso
demonstra que todo ser humano possui a necessidade de
um conhecimento superior, que transcenda o reino material,
aí inclusas as matérias grosseira e sutil. Sem este
conhecimento, somos levados simplesmente à ignorância
ou à especulação mental. A este saber transcendente
damos o nome de “conhecimento espiritual”.
Conhecimento
espiritual não se constitui de tolice caprichosa e sem
sentido. Ele é a realidade mais importante e prática
da vida. Podemos afirmar que para termos uma vida bem
sucedida necessariamente precisamos obter conhecimento
espiritual de uma fonte genuína, caso contrário estaremos
essencialmente limitando nossa existência ao campo meramente
material, corporal, exatamente como fazem os animais.
Uma
fonte genuína é aquela isenta de erros e cuja origem
pode ser encontrada na raiz da questão em estudo. Quando
o assunto é a ciência espiritual, deve-se assim remontar
ao próprio Deus, pois Ele é logicamente a raiz de todos
os assuntos espirituais. Se a pessoa estudar a totalidade
de todas as informações disponíveis acerca do espírito,
verá que a literatura védica, especialmente o Bhagavad-gita
e o Srimad-Bhagavatam, são as mais ricas e profundas
fontes de conhecimento científico espiritual. Nestas
literaturas sagradas, encontramos a mais antiga, extensa
e abrangente filosofia. Elas são capazes de responder
a todas as perguntas relevantes concernentes a Deus
e à alma, como eles se relacionam ao universo e a tudo
contido nele, e como devemos nos comportar a fim de
obtermos o mais elevado benefício para nós mesmos e
para todas as entidades vivas. Nenhuma outra fonte fidedigna
apresenta tão minuciosamente as descrições de Deus,
Seus nomes, Sua morada, Seus associados, Suas atividades,
e Seus ensinamentos. Estes ensinamentos não têm quaisquer
limites culturais, geográficos ou temporais. Caso tivessem,
não transcenderiam o reino material, e, portanto, não
seriam uma ciência plenamente espiritual.
“Veda
vem da palavra sânscrita ved, que significa ‘saber’.
Assim, veda significa ‘conhecimento’. O conhecimento
védico não é sectário, nem tampouco é a doutrina dos
hindus. Seria muito inapropriado falarmos sobre uma
doutrina indiana ou hindu, a qual poderia ser de interesse
apenas para os indianos, antropólogos ou pessoas apaixonadas
por culturas exóticas. No entanto, este conhecimento
védico é realmente interessante porque ele transcende
as limitações da cultura mundana e atinge um nível universal.
E qualquer coisa universal é interessante para todo
mundo. Os Vedas são eternos e não têm origem
mundana. Os estudiosos materialistas jamais encontraram
um início ou um ponto de partida para os Vedas,
porque o conhecimento védico tem sempre existido. Não
é algo que pertença a alguma seita, país, religião ou
período de tempo” – Hridayananda das Goswami.
De
acordo com os Vedas, das várias formas que existem de
se conectar com o Divino, a melhor (mais fácil, mais
agradável e mais eficaz) é bhakti-yoga. Yoga significa
"conectar", "ligar", etc. Bhakti
é um termo que, na verdade, não tem tradução pura para
o português, mas que Sua Divina Graça Swami
Prabhupada, fundador-acharya da ISKCON, traduziu como
"serviço devocional". Bhakti pode ser
também entendido como "amor divino".
A idéia é que o amor verdadeiro impreterivelmente
leva a pessoa a prestar ou a desejar prestar serviço
ao objeto de amor. Uma mãe
ama seu filho e, portanto, o serve de tantas maneiras,
muitas vezes se sacrificando, mas faz isso por
amor, com um prazer muito superior àquilo que ela
sentiria se estivesse ativamente tentando apenas se
satisfazer de forma egoísta. Esse tipo de serviço, fruto
do amor em relação a Deus, é que Prabhupada chamou de
"serviço devocional". Ou seja, é aquele ato
que lhe conecta com Deus com base em seu relacionamento
natural, original ao nosso ser, de amor por Ele.
Amor é privilégio da alma, não do corpo e da
mente; e a alma não pode se satisfazer com a natureza
limitada das emoções e prazeres mundanos.
Quando chegamos nos níveis mais elevados, tendo nos
livrado da "poeira" em nosso coração, fruto
dos desejos egoístas e materiais, podemos compreender
a natureza específica de nosso verdadeiro relacionamento
com Deus (tecnicamente chamado de rasa, que significa
gosto ou sabor em sânscrito), cujas principais categorias
são de admiração neutra, serviçal, amigável, parental
e conjugal. Existem outros tipos de relacionamento,
mas esses são os cinco principais. Porém, não importa
que tipo de relacionamento temos com Deus, ou mesmo
em que estágio de nossa jornada de volta a esse estado
original estamos, o fato é que todos temos um relacionamento
amoroso com Ele.
Acontece que agora estamos em um estado esquecido e
confuso, exatamente como uma pessoa adormecida que,
durante seu sonho, esquece de quem realmente é, onde
está, etc. Bhakti-yoga, então, é o processo
pelo qual praticamos esse estado natural do ser vivo
de se relacionar com Deus. E, pela prática, gradualmente
retomamos nossa consciência original e lembramos a nossa
posição real. Esse serviço devocional, bhakti,
tem nove principais atividades, sendo que as primeiras
são: ouvir, cantar, lembrar e servir amorosamente. Por
isso que é tão enfatizado, em todas as religiões do
mundo, o processo de ouvir as glórias e nomes de
Deus e recitá-las também, o que automaticamente nos
faz lembrar de Deus, nos conectar a Ele.
Ouvindo e recitando os nomes e atividades de Deus
e, portanto, lembrando-se dEle, rapidamente removemos
de nosso coração os desejos e apegos inferiores e mesquinhos
que desenvolvemos no mundo material e começamos a experimentar
nossa bem-aventurança natural como entidades espirituais,
como parte e parcela de Deus. Bhakti então nos
aproxima cada vez mais de Deus, que é infinitamente
atraente (Krishna significa o todo atraente). Naturalmente,
ao nos aproximar de alguém atraente (não só de aparência,
mas em qualidades), desenvolvemos apego e depois
amor. Assim, bhakti nos leva a desenvolver apego
e finalmente amor puro por Deus, de acordo com nosso
gosto (rasa) individual. Se até mesmo no mundo
material com pessoas comuns sentimos grande prazer em
experimentar o amor limitado, sequer podemos conceber
o prazer infinito fruto do amor ilimitado e puro por
Deus. Bhakti, portanto, é a eterna e original
ocupação, qualidade e natureza (sanatana-dharma
em sânscrito) do ser vivo de amar e servir a Deus, em
infinita bem-aventurança e conhecimento.
Para conhecer mais sobre essa antiga ciência
espiritual, clique aqui: www.bhaktiyoga.com.br.
E para obter mais recursos sobre esse tema, inclusive
livros para download em PDF, clique aqui.
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